O tamanho do mercado de luxo no Brasil e onde ele vende
O mercado de luxo no Brasil movimentou R$ 98 bilhões em 2024 em nove segmentos, de imóveis e automóveis a saúde e aviação, segundo a Bain & Company, com Valor Econômico e Vogue Brasil (agosto de 2025). Moda e itens pessoais somou R$ 21 bilhões. A Bain projeta até R$ 150 bilhões em 2030.
Os nove segmentos da Bain
São moda e itens pessoais, imóveis, automóveis, saúde, aviação, fine art, hotéis e experiências, iates e bebidas finas. Juntos, cresceram 26% entre 2022 e 2024, e 13% só em 2024, ano em que o mercado global de luxo caiu 1%, segundo o estudo da Bain.
Moda e itens pessoais (roupa, calçado, acessórios, joias, relógios e beleza) cresceu 7% ao ano entre 2022 e 2024. Automóveis cresceram 18% ao ano, e imóveis, 13%. Cada um dos três somou R$ 21 bilhões em 2024.
A Euromonitor International calcula as vendas de bens de luxo no Brasil em R$ 56,8 bilhões em 2025, com alta de 8%. Pelo recorte da Mordor Intelligence, que conta roupa, calçado, joias, relógios e artigos de couro, o mercado foi de US$ 5,35 bilhões em 2025 e chega a US$ 7,28 bilhões em 2031. Os três números medem coisas diferentes, por isso não se comparam nem se somam.
Onde o luxo vende no Brasil?
As lojas físicas ficaram com 76,85% das vendas de bens de luxo em 2025, e o mercado é muito concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro, segundo a Mordor Intelligence.
Num estudo da FGV de 2014, com uma amostra de marcas internacionais de luxo, Marta Fardilha encontrou 60% delas com a primeira loja no Brasil aberta num shopping Iguatemi de São Paulo, principalmente o Iguatemi São Paulo e o JK Iguatemi.
O estudo da Bain, na publicação do Valor Econômico e da Vogue Brasil, registra a maior flagship da Tiffany & Co. na América Latina, aberta no Iguatemi São Paulo em dezembro de 2024, e a primeira loja da Comme des Garçons na América do Sul, no mesmo shopping. Cita também a Carolina Herrera no Iguatemi Porto Alegre e a Chanel Parfums et Beauté no Iguatemi Porto Alegre e no Flamboyant, em Goiânia. Previa ainda a mudança da Hermès, no Rio de Janeiro, para uma loja de 233,1 m² no Village Mall no segundo semestre de 2026, e a ampliação em 50% da área bruta locável do shopping do Iguatemi em Brasília.
Quanto o luxo custava a mais no Brasil, e o que mudou
Um produto de luxo de US$ 1.000 no porto de entrada podia chegar a US$ 2.300 para quem compra em São Paulo, somados os impostos, calculou a McKinsey em 2014. Para muitas marcas estabelecidas, o preço no Brasil já tinha caído para até 50% acima do preço lá fora; em 2011, o produto muitas vezes custava no Brasil três vezes o preço de fora. O artigo da McKinsey não foi atualizado desde então.
A sócia da Bain Lívia Moura diz, no estudo com o Valor Econômico e a Vogue Brasil, que o luxo cresceu pouco no Brasil no passado por causa do preço, mais alto que lá fora, e porque o cliente de alto luxo era tratado como afluente.
O luxo que o brasileiro compra fora
Cerca de 80% do gasto do brasileiro com luxo acontecia no exterior em 2014, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, e 30% dos compradores brasileiros de luxo achavam a seleção melhor lá fora, segundo a McKinsey.
Para Thiago Porto Ribeiro e Paola Carrara, do escritório Stocche Forbes (maio de 2026), o luxo resistiu à instabilidade da economia brasileira em parte por causa do câmbio, que desestimula a compra no exterior, e do crescimento do varejo de luxo no país.
No estudo da Bain com o Valor Econômico e a Vogue Brasil, o CEO do Iguatemi, Ciro Neto, compara a fila que o cliente rico enfrenta lá fora com o atendimento quase um a um que ele recebe no Brasil.
Em 2014, cerca de 70% das vendas de luxo no Brasil eram pagas em parcelas no cartão de crédito, com dez parcelas sem juros como padrão, segundo a McKinsey.
A Persona, operadora local de lojas
A Persona abre e opera no Brasil a loja de marcas de luxo internacionais, como operadora local. Escolhe o ponto com a matriz, acompanha a obra, treina a equipe no padrão da matriz e continua na operação depois da abertura, com cliente oculto e reporte à matriz.
Nas lojas Moncler do Iguatemi São Paulo e do JK Iguatemi, a Persona respondeu pelo ponto e pela conversa diária com a matriz, na Itália, e treinou a equipe em produto, vocabulário e postura no padrão de Milão.
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Fontes
- Bain & Company, com Valor Econômico e Vogue Brasil, A força do mercado brasileiro de luxo, 2ª edição, publicado em 21 de agosto de 2025; página-resumo da Bain, 10 de outubro de 2025.
- Euromonitor International, Luxury Goods in Brazil, outubro de 2025.
- Mordor Intelligence, Brazil Luxury Goods Market, página atualizada em 13 de março de 2026.
- Marta Sofia Marques de Sá Fardilha, Iguatemi: creating opportunities for international luxury brands in Brazil, FGV EAESP, dezembro de 2014.
- McKinsey & Company, Capturing the hearts of Brazil's luxury consumers, 1º de outubro de 2014.
- Thiago Porto Ribeiro e Paola Carrara (Stocche Forbes), Luxury retail's strategic growth in Brazil: challenges and opportunities, The Global Legal Post, 13 de maio de 2026.